13 de fev de 2016

As Deusas e a Mulher - Características & Classificação

Jean Shinoda Bolen, no livro “As Deusas e a Mulher”, inova classificando as deusas em: virgens, vulneráveis e alquímicas.
Imagem de Emilie Basilev
As deusas virgens
A deusa da caça e da lua, Ártemis; a da sabedoria e das artes, Atenas, e a da lareira, Héstia são consideradas deusas virgens, não por serem intocadas sexualmente, mas por serem independentes e ativas. Portanto, representam estas características nas mulheres. Virgem, significa “não pertencente ao homem”, ou seja, não há dependência do homem e nem de sua aprovação. Por isso, não faz nada com a única finalidade de agradar a um homem, faz porque quer, porque sente que assim deve fazer; ela segue, sua própria escala de valores que não foram afetados pela coletividade. 
As mulheres com aspectos das deusas virgens são aquelas que sacrificam os relacionamentos com os homens para relacionarem-se mais profundamente consigo próprias. Mas cada uma das Deusas virgens tem sua peculiaridade. 
Ártemis, apartou-se do convívio com os homens, e hoje podemos observá-la nas feministas convictas e nas mulheres extremamente rígidas e individualistas. Já, Atenas, não se apartou e conviveu com os homens como uma igual; é a mulher atual que compete, lado a lado, profissionalmente, com os homens. E, Héstia, é a que se retraiu e ficou sozinha. É a mulher que abandona a sua feminilidade assim evitando atrair o interesse masculino e se recolhe em tarefas diárias.

As deusas vulneráveis 
As três deusas vulneráveis são: Hera, deusa do casamento e que representa a esposa, Deméter, do cereal e que representa a mãe e Perséfone, do inferno que representa a filha. São denominadas de vulneráveis, por Bolen, pois foram vitimadas de alguma forma por deuses ou humanos. São deusas orientadas para o relacionamento, sendo motivadas pelas recompensas que um relacionamento traz. Sua percepção e consciência são difusas, percebendo tudo ao seu redor. Portanto, estão atentas aos estímulos sensoriais que o meio oferece. São capazes de perceber o tom emocional de uma conversa ou idéia; são sensíveis e empáticas com os outros.


Jean Shinoda Bolen denominou Afrodite de deusa alquímica por seu grande poder de transformação pois, simboliza o poder transformativo e criativo do amor. 

Ela, também, representa a composição harmoniosa entre os aspectos das deusas virgens e das vulneráveis. Não é vulnerável pois jamais sofreu, seus relacionamentos eram correspondidos, e, não é virgem pois valorizava as experiências emocionais e os relacionamentos, mas não como permanentes e duradouros. 
Ela impregna de beleza e amor os relacionamentos, não apenas os sexuais. Ela permite a empatia entre as pessoas. Ela visa seus próprios objetivos e interesses (consciência enfocada) sem abrir mão da receptividade ao outro. Ela pede pela conexão com o outro pois, sem essa conexão nada se cria e, portanto, não há transformação. 
Afrodite era capaz de acreditar no sonho de seus homens. Que o sonho era possível. Isto fazia com que eles se sentissem, realmente, importantes e especiais. 
Acreditar no sonho de alguém gera expectativas positivas no comportamento do outro, desperta o outro para o seu melhor. É uma atitude receptiva e doadora ao mesmo tempo, recebe-se o sonho e se encoraja o outro a buscar a realização. Isso confere segurança e dinamismo ao outro. 
Alguém se lembra do filme “Melhor Impossível”? O personagem vivido por Jack Nickolson diz a garçonete: “Você me faz querer ser cada vez melhor” – este é o poder transformador de Afrodite.


Afrodite é a deusa do amor e da beleza. Teve vários relacionamentos eróticos com deuses e com mortais. Mas também ajudou a muitos quando invocavam seus poderes. 
Enquanto arquétipo rege o prazer do amor, da beleza, do sexo e da sensualidade. Nas culturas patriarcais esses valores são desvalorizados, a mulher pode ser vulgarizada por expressá-los. 
Também, rege as forças criativas que tem por fases: atração, união, fertilização, incubação e nova criação. 

Para se cultivar Afrodite temos que nos envolver em atividades sensoriais ou sensuais. Temos que nos afastar de atitudes culposas ou críticas, pois estas nos afastam da possibilidade de desfrutar o prazer, o lazer e qualquer outra atividade considerada não produtiva. 
Como se pode perceber, raramente, haverá uma única deusa na vivência de uma mulher, mas quando isso ocorre, encontramos um caso patológico, até mesmo uma psicose ou um caso fronteiriço, dependendo da força do ego da mulher. Via de regra, haverá uma deusa dominante e outras atuando secundariamente. Também, em razão de crises e passagens na vida, as deusas poderão mudar de posição, em função das prioridades. Mas a mulher deve saber dizer “sim”, “não” ou “agora, não” às solicitações das deusas. 
Quando um conflito se instala na vida de uma mulher, as deusas começam a dar palpites e se o ego não conseguir ordenar as informações conflitantes é mais sensato procurar com quem falar sobre seus sentimentos, medos e impulsos em conflito, para que se dê início a ordenação e, assim, o ego se sentirá mais apto a administrar o conflito. Deve ser evitada a precipitação, isto é, de fazer alguma coisa, qualquer coisa, para se resolver o conflito pois, freqüentemente, será uma atitude irrefletida. Isto porque o ego, pode estar contaminado com preconceitos e idéias pré-concebidos, e direcionar erroneamente a decisão. Bolen afirma que as deusas censuradas, isto é, impedidas de serem vivenciadas, se apresentam e se manifestam em sintomas psicossomáticos, para “pedirem passagem”, ou seja, para reivindicarem um espaço na vida da mulher, deixando claro que aspectos importantes estão sendo deixados de lado, negligenciados, e precisam ser vivenciados para benefício da própria saúde interior da mulher. 
Buscar falar com as deusas, conectando-se com elas através da técnica da imaginação ativa é um meio de solucionar conflitos internos. Assim, pode-se fazer uma escolha – aspecto que caracteriza a mulher heroína. A mulher não-heroína é aquela que aceita as escolhas alheias, portanto não escolhe, não discrimina, não expressa, mesmo que depois atire essas “verdades” sobre os outros, por exemplo, “eu não tenho culpa, a escolha deste restaurante foi sua”.
Bibliografia e Leituras Recomendadas BOLEN, Jean Shimoda. As Deusas e a Mulher. Ed. Paulus. 1990. CABOT, Laurie e COWAN, Tom. O Poder da Bruxa. Ed. Campus. 2000 JOHNSON, Robert A. She. Ed. Mercuryo. 1996. WOOLGER, Jeannifer Barker e WOOLGER, Roger J. A Deusa Interior. Ed. Cultrix. 1992.
Por Anyara Meneses Lasheras, copiado do site

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