12 de fev de 2016

Por que conhecer as Deusas?

Na Grécia antiga as mulheres sabiam que estavam sob o domínio de uma deusa a quem veneravam prestando homenagens e oferendas em seus templos, invocando seu auxílio. Estas mesmas deusas, ainda fazem parte da vida da mulher, mas habitam o mundo do inconsciente coletivo como arquétipos (imagens primordiais). Segundo, Carl Gustav Jung, o inconsciente coletivo é a instância psíquica mais profunda que armazena experiências que não são nem pessoais e nem individuais, mas imagens primordiais ou arquetípicas e também os instintos, que não podem ser acessadas quando necessário, entretanto, manifestam-se em sonhos, mitos e fantasias de maneira simbólica. Por isso, no íntimo de toda mulher encontrar-se-ão as deusas. Todavia, em cada mulher, estará uma ou mais deusas ativadas e outras não, e mesmo a ativação terá suas diferenças individuais. 
No início dos tempos, tinha-se o Matriarcado. Período marcado pelo predomínio do Arquétipo da Grande Mãe e, conseqüentemente, o feminino tinha seu lugar de destaque. Em seguida, houve uma grande revolução e as divindades masculinas passaram a predominar, iniciando-se o Patriarcado. Com o advento do cristianismo, entrou-se na era do Patriarcado de modo definitivo. 
Neste período, os valores masculinos passaram a preponderar e, progressivamente, o feminino foi rejeitado e execrado. Os valores associados ao feminino, ligados ao princípio de Eros, que são a receptividade, a passividade, a disciplina e a subjetividade, que aparecem como o se relacionar, criar e cuidar, foram expurgados. E, valores associados ao masculino, ao princípio do Logos, tais como discriminar, julgar, impor regras e limites de maneira rígida, e agir e relacionar-se impessoalmente foram supervalorizados. 
No momento atual observa-se que as próprias mulheres aderiram ao modelo do Patriarcado, passando a supervalorizar o princípio do Logos. Então, decidiram ser mulheres que pensam demais, racionalizam demais, agem demais, competem demais, julgam demais, discriminam demais e, se relacionam menos, criam menos, cuidam menos. 
As próprias mulheres passaram a ridicularizar as características inerentes do arquétipo do feminino. Assim, as mulheres passaram a viver com padrões de comportamento estereotipados, isto é, mediante ditames sócio-culturais. 
E, com isso, as Deusas foram renegadas ao porão da vida. O grande feminino foi caçado como uma bruxa, queimado e suas cinzas foram sopradas ao vento. 
Mas, chegou a hora de, como a grande ave Fênix, ressurgir das cinzas. São mulheres e até mesmo alguns homens, se propondo a permitir o ressurgimento do Grande Feminino, da Grande Mãe, da Natureza. Mesmo no catolicismo, o chamado Movimento da Renovação Carismática que, também,tem enaltecido o feminino, orando à Virgem Maria
Mas, muitos momentos críticos, momentos de renovação e transformação, na vida da mulher, invocam, de alguma maneira, os poderes das Deusas. Segundo Bolen: “A mulher que decide continuar seus estudos além da escola secundária favorece o desenvolvimento adicional das qualidades de Atenas. Estudar, organizar informações, fazer provas e escrever teses, tudo requer a inclinação à lógica, própria de Atenas. A mulher que escolhe ter um bebê convida a maternal Deméter a ser uma presença mais forte. E registrar uma viagem pela selva, com mochila às costas, oferece mais expressão a Ártemis.” (1990, p.60). 
Em sendo assim, conhecer as deusas e seus atributos proporciona às mulheres o autoconhecimento e, também, o que está por trás de seus relacionamentos de qualquer natureza, mas principalmente no tocante aos relacionamentos afetivos. 
Conhecer as deusas, portanto, favorece que a mulher, além de seu autoconhecimento, compreenda seus relacionamentos com homens e mulheres, com seus pais e filhos. As deusas sempre foram solicitadas para auxiliar em alguma função: Atenas auxiliava na reflexão sobre uma situação, é a deusa da sabedoria; Perséfone, a se estar disponível e receptiva; Hera, no desempenho dos compromissos e para ter autoconfiança; Deméter, no desenvolvimento da paciência, generosidade e tolerância; Ártemis, na constância do objetivo; Afrodite, na capacidade para o amor, na relação com o próprio corpo e Héstia, para manutenção da paz e serenidade. 

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