30 de mar de 2016

Onde estavam as Deusas no mundo?


A Grande Mãe é muito mais do que apenas uma divindade evoluída e cultuada pelos pagãos e neopagãos, ela é a energia criadora e a força que habita cada uma das mulheres e homens, após a era matriarcal ela adormeceu no ventre da terra esperando o momento certo em que tivesse sua arte novamente revelada, mas isto não significa que ela desapareceu completamente, pelo contrário, Ela acompanhou a humanidade em cada passo em direção à evolução e em cada retrocesso...

Em 30 de abril de 1977, um grupo de mulheres vestidas com lenços brancos protestou em frente à casa rosada, na Argentina. Elas pediam pelos seus filhos desaparecidos durante o regime militar. Os argentinos viviam uma ditadura terrorista mesmo assim, isto não foi o suficiente para impedir as mães, que em seu protesto desafiaram o poder ditatorial no auge de seu comando. O movimento começou com 14 mulheres desesperadas e sem temor algum, desafiando a face da morte, fizeram seu manifesto na praça de maio em uma quinta-feira, depois na próxima quinta-feira e assim sucessivamente, chegando a centenas de mulheres. 

A face mãe da Deusa estava presente nos corações delas, como quando Deméter se submete a deixar a morada divina, sujeitando-se a viver entre os homens, buscando auxilio para entrada nas profundezas do Tártaro atrás de sua filha.

Na guerra do Paraguai, muitas das mulheres que acompanhavam seus maridos, depois deles estarem mortos, pegaram as armas e foram à batalha, incorporando a face guerreira da deusa, ou quem não já ouviu falar de Anita Garibaldi?! A  manifestação da face  Ártemis guerreira, livre do conceito de lar e  permanentemente em  busca da aventura dos bosques. 

E que tal a sedutora Cleópatra, face da Deusa negra, pincelada com doses de intelecto profundo?

Madre Teresa de Calcutá, manifestação de Héstia, aonde abdica de si em prol dos outros, servindo assim a sua chama da lareira ao planeta. 

A Deusa sobreviveu entre os homens mesmo durante a era patriarcal ela revelou sua face nas mais diversas mulheres do mundo, mas não foi somente as grandes mulheres consagradas na história que personificaram a face da Senhora da vida; há muitas manifestações Dela entre nós, nas Sandras, Sabrinas, Sharas, Karolinis, Anas, Marias, Tatianas e Tânias.. Todas elas vivenciando em seu destino o caminho de sua deusa interna e externa.

Ela está manifesta nas mães arredias, nas avós conselheiras, nas filhas compassivas e nas revoltas, na irmã e na amiga,  é desta ótica particular que Ela tece nossas vidas, nos analisando em seu camarote emocional. 

Ela habita a batalha de cada novo amanhecer que brota com a força do crescente lunar: a donzela, guerreira e batalhadora, está na maturação do corpo, quando a idade em seu ápice de poder nos torna sedutoras, envolventes, audaciosamente férteis e no minguar, no decrescer natural do estágio da vida, adentramos então as portas da sabedoria eterna aonde somente a crone é capaz de habitar sem ferir-se.

A sacralidade da Deusa está no dia-a-dia e nos grandes eventos, na solidão profunda que entorpece alma transformando em sabedoria, no pulsar da vida que brota pelas faces coloridas de mulheres que se entregam ao caminho que lhes pertence.

Por isso, não há parte de nosso corpo que não seja sagrada  e nem atitudes tomadas em base de nosso amor que não seja habitada pela essência divina, o cristianismo em sua maioria esmagadora transformou a mulher em portadora do pecado original e mesmo que lutássemos contra isso o inconsciente coletivo acabou nos sabotando, hoje já tivemos o despertar de nossa centelha divina, não sendo mais necessário nos deixarmos abater por ideias e ideais pré-estabelecidos e sem nenhuma consciência.

O poder de regenerar, de gerar vida, de entrar na batalha, de ser consciente é nosso! 

 Abençoadas sejam... Filhas da Deusa!

Fonte;

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