20 de ago de 2016

DOCUMENTÁRIOS - Noivas do Cordeiro

O documentário "Noivas do Cordeiro", de Alfredo Alves. 

O filme conta a história da localidade Noiva do Cordeiro, no município de Belo Vale, a cem quilômetros de Belo Horizonte, que é aparentemente uma comunidade rural como tantas outras. No entanto, carrega características que a faz diferente, já que as mulheres são maioria absoluta e sofrem de forte preconceito e isolamento. Tudo graças a um evento que mudou a 'fama' das mulheres, vistas como prostitutas, perdidas. Os boatos afetaram ma vida na comunidade.

Há alguns anos, as mulheres resolveram mudar essa realidade. Para correr atrás de recursos e lutar por seus direitos, fundaram uma associação comunitária. Com isso, conseguiram criar uma escola de informática, a primeira da zona rural de Minas Gerais. Essa conquista fez com que, aos poucos, começassem a ser respeitadas pelas comunidades vizinhas. 

Produção: Canal GNT



Com narração em primeira pessoa da escritora Lya Luft, o documentário volta à origem do povoado. Tudo começou no fim do século 19, quando Maria Senhorinha de Lima, natural do povoado próximo de Roças Novas, se casou com um descendente de franceses, Arthur Pierre. Três meses depois, sentindo-se infeliz, ela abandonou o lar e foi morar com Chico Fernandes, no local onde acabou sendo criada a comunidade. O seu ato deixou a população escandalizada, já que as mulheres não tinham o direito de abrir mão de um casamento em nome do amor. Começou aí a história de preconceito e isolamento.


A Igreja Católica rapidamente se colocou contra o casal, que foi excomungado e difamado. Mesmo assim, o casal seguiu sua vida, teve filhos, que tiveram outros filhos, e a comunidade cresceu. Por volta dos anos 40, o pastor Anísio Pereira se mudou para o povoado ao se apaixonar por uma jovem local. Ele fundou a Igreja Evangélica Noiva de Cordeiro, que passou a ser o nome do lugar. Os preceitos dessa Igreja eram muito restritos: as mulheres não podiam usar maquiagem, não podiam fazer controle de natalidade e os dias de jejum obrigatório prejudicavam o trabalho. Por conta do rompimento com a fé católica, o preconceito dos povoados vizinhos cresceu ainda mais.

As mulheres da comunidade começaram a perceber que a igreja não trazia tantos benefícios e que, pelo contrário, dificultava a vida e o sustento. Aos poucos, foram se desligando, até colocar um fim na igreja local. A partir daí, passaram a viver uma vida sem religião – mas com muita fé em Deus -, sem dogmas e sem formalidades.

A rotina de Noiva do Cordeiro dificultou a integração com as populações vizinhas. As mulheres eram vistas como prostitutas, perdidas, e esses boatos afetaram muitos relacionamentos da comunidade.

Há alguns anos, as mulheres resolveram mudar essa realidade. Para correr atrás de recursos e lutar por seus direitos, fundaram uma associação comunitária. Com isso, conseguiram criar uma escola de informática, a primeira da zona rural de Minas Gerais. Essa conquista fez com que, aos poucos, começassem a ser respeitadas pelas comunidades vizinhas. Uma fábrica de tecidos também foi montada e aumentou a renda local.

Atualmente, o modo de vida dos moradores de Noiva de Cordeiro é admirado e respeitado. Na comunidade, nada é de ninguém, tudo é de todos. Todos trabalham, todos comem o que plantam, e todos usufruem dos benefícios alcançados.


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