31 de jan de 2017

Lua Minguante (por Morena Cardoso)

{REPOST} Texto de Morena Cardoso do site DanzaMedicina
http://www.danzamedicina.net/blog/amesuatpm

A Lua Minguante chega nos convidando a acessar mais profundamente o nosso Ser, observando aspectos de nós mesmas que foram antes ofuscados pelo brilho radiante da Lua Cheia. Esta fase da Lua está conectada com a quarta e última fase de nosso Ciclo Menstrual. Isso não quer dizer que você deva menstruar necessariamente na Lua Nova ou ovular na Lua Cheia. Isto representa de fato o tipo de energia que estamos trabalhando nesta fase especifica do ciclo menstrual.
Enquanto estávamos na Lua(durante nossa menstruação) o recolhimento, a contemplação e a quietude inundavam nosso ser; em sonhos auspiciosos, alto potencial intuitivo e poder visionário. Como a energia do inverno.
Durante a segunda fase do ciclo, quando paramos de sangrar, incorporamos o arquétipo da menina, a donzela, a virgem, a princesa- em comunhão com aspectos como espontaneidade, responsividade, disposição e vitalidade; se expressando também com atenção focada, centramento, força de vontade e ação em direção a nosso projetos pessoais, ambições e propósitos. Como a energia da primavera.
Na terceira fase do ciclo, durante a ovulação, nos encontrávamos plenas, cheias de luz, expansivas, comunicativas. Com nossa sexualidade cada vez mais expressa; em nossas ações criativas, nossa capacidade de conexão e integração com o outro, na forma como nos vestimos e nos interacionamos- em empatia, proteção, nutrição e acolhimento. Como a energia do verão.  
Chegando na última fase do ciclo, nossa luz começa naturalmente a se recolher. É um momento de aproveitar todo o potencial e urgência criativa desta fase para concluir e finalizar o que quer que você tenha iniciado neste ciclo; deixando ir o que você não mais necessita levar para o próximo ciclo.
Chanel Baran
Chanel Baran
Observamos nesta fase um movimento de transição em direção às nossas sombras- em direção  a partes mais obscuras e profundas de nosso ser. Conectada com a energia do outono, aqui é onde as folhas secam e caem, as flores morrem, os dias se tornam mais curtos e as noites mais longas. Um princípio de morte, de recolhimento, de retração, de escurecimento. Conhecido como TPM, Este período visto de forma muito negativa e deturpada pelo coletivo.
Esta aversão por este período reflete a tendência de negação e fuga que vivemos em nossa sociedade quando falamos a respeito da morte; como movimento de desapego e entrega. Reflete nossa dificuldade de deixar ir, de permitir que se quebre, que se desfaça, que se esvaia; para que renasça em um novo senso de existência em novas primaveras.
 Esta aversão reflete tendência de negação das nossas sombras: nossas dores, nossas limitações, nossas feridas emocionais, nosso corpo de dor, nossos padrões e crenças limitantes, nossos medos, automatismos negativos e conflitos internos.
 Vivemos em uma sociedade que supervaloriza o belo, o brilhante, o jovem, o eficiente... o que é externo, que cresce, expande, é feliz, reluzente, imponente... enquanto negamos o envelhecer, o diminuir, o recolher, o interiorizar, a tristeza como processo de crescimento, transformação e tomada de consciência.
As sombras, e a forma como nos relacionamos com ela, foi trazida como tema de estudo por muitos mestres e professores das mais diversas linhas espirituais como uma chave, um caminho para o verdadeiro despertar. Conhecer e dançar neste equilíbrio dinâmico de nosso ciclo menstrual é, inegavelmente, uma oportunidade de crescimento, fortalecimento do espírito, maturização da alma e despertar da mulher em todos os aspectos. Porém, este caminho exige que cada uma de nós honre a qualidade de impermanencia e transformação constante que ocorre ciclicamente dentro de nós, além do acolhimento de cada uma das fases deste ciclo, de forma incondicional.
Acreditando que parte de nós é inadequada, aos poucos vamos criando barreiras em nossa consciência que não permitem, nem a nós mesmas, percebermos esta negação de si, e assim seguimos construindo nossas vidas com toda esta poeira embaixo do tapete; coordenando inconscientemente as nossas ações, nossas reações, tomando escolhas, sugerindo condutas pessoais e norteando nossos destinos... nos tornando escravas das realidades que nós mesmas criamos. A TPM nos permite enxergar a verdade sobre quem realmente somos, o que realmente desejamos manifestar e como queremos realmente viver esta jornada da vida - só assim podemos realmente nos tornarmos criadoras de nossa própria realidade, só assim poderemos seguir, inteiras, confiantes e despertas, em direção ao nosso destino maior em realização do Ser. 
 As sombras são aspectos de nosso ser que nós preferíamos não ter que encarar; por medo de não sermos amadas, aceitas, acolhidas ou apreciadas; por medo de nos tornarmos inadequadas, medo de perdermos o controle ou a idéia de segurança.  Acessar as sombras é perceber com mais clareza o que precisa ser transformado , o que precisa ser deixado para trás, o que precisa ser curado,  quais as máscaras e cargas, quais as idéias e crenças que devemos deixar para trás para seguir em direção ao novo ciclo com mais verdade, mais leveza, mais plenitude e autenticidade.
Existe ai, nesta TPM, neste encontro com as sombras, uma grande diferença entre “Legitimar uma reação inconsciente” X “Fazer mudanças positivas em nossas vidas a partir da tomada de consciência de si”. Agir por impulso, justificar ações de agressividade, violência, drama ou vitimização em nome da TPM é totalmente diferente de efetivá-la como um processo de cura. Para isso é muito importante manter o seu centro, manter a presença, a observação de si e o não julgamento. Ficar com o que se é, acolher as informações que vêm à tona, sejam quais forem. Assumir o compromisso consigo mesma de deixar ir, através de seu sangue menstrual, tudo aquilo que não lhe serve mais e que lhe causou tanto desconforto e irritabilidade ao final do seu ciclo. Lembrar-se com firmeza e consciência, de que tudo o que acontece fora de você é resultado de seus próprios processos internos, e que, da mesma forma, a transformação acontece SEMPRE, de dentro para fora, SEMPRE do principio da auto responsabilidade. 
Chanel Baran
Chanel Baran
É muito importante durante este processo, se respeitar e ser gentil consigo mesma; dar-se tempo e espaço e ir devagar se preparando para sair do mundo. Assumir o compromisso com sua mente, corpo e espírito de se recolher, entrar no silencio, na quietude e ir descansar. Quando você se compromete, durante a sua TPM, a se retirar do mundo por alguns instantes quando chegada a sua lua(sua menstruação), todo este processo se suaviza exponencialmente.  
Se empoderar como mulher e se reconectar com o Sagrado Feminino em nós, passa por este lugar de legitimar todo o nosso Ser Mulher, assim como é; nosso sangue menstrual, nosso ciclo, nossas sombras, e sim, nossa TPM- conhecer a nós mesmas a partir do equilíbrio dinâmico de nosso ciclo. Que excelente oportunidade e ferramenta possuímos em nossos corpos, para o nosso despertar; para a realização maior de nosso Ser!
 Escute o chamado da Lua Minguante que anuncia o retorno às cavernas da alma, escolha o que você deseja levar contigo para este recolhimento e o que você deixa para trás; escolha neste momento o que lhe nutre de verdade, para que você possa deitar-se sem medo sobre o colo da Lua Nova, deixando que ela te cubra com este manto de escuridão até o retorno da lua crescente, ate a volta de uma nova primavera; onde você recomeça, do mesmo lugar, mas como se fosse a primeira vez.
*Fotografias: The Visionary Photographic Art of Chanel Baran: http://chanelbaranphoto.com/

**Texto por Morena Cardoso: Mulher, mãe, terapeuta corporal, peregrina, buscadora, escritora, visionária da Mandala da Lua- Criadora e facilitadora da DanzaMedicina. Morena há mais de uma década percorre lugares sagrados ao redor do mundo em diferentes culturas e tradições originárias; resgatando saberes ancestrais do feminino e ferramentas de cura pela psicoterapia do corpo e movimento; compartilhados hoje a centenas de mulheres em diversos países,na forma de Workshops, vivências e retiros. 
***Este foi o texto #7 de um projeto de 13 textos publicados sequencialmente no Projeto "O Diário da Lua Vermelha". Acompanhe!

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