21 de abr de 2017

Yoga - Quebrando Barreiras (Anna Ipox)

Yoga - Quebrando Barreiras, vai trazer reportagens & imagens do que está fora do padrão midiático dos praticantes e professores de yoga. Aproveite e se desapegue dos antigos conceitos e preconceitos!

Os operadores de telemarketing e vendedores de água engarrafada que ligam para o estúdio de ioga de Anna Ipox em Portland, Oregon, nos Estados Unidos, perguntam: "É do lugar de ioga?" Anna não responde que sim, apenas ressalta:
— Em vez disso, peço para dizerem: "É da Fat Yoga (Ioga para Gordos)?".
Esse é o nome correto do estúdio e muitas pessoas relutam em dizê-lo. Um dos que ligaram, como a maioria, não deu uma resposta direta e preferiu perguntar: "Bom, como sei se estou gordo?"
— As pessoas pensam em "gordo" como alguém desleixado, descontrolado, sujo ou preguiçoso. Não é isso — disse Anna.
Geralmente, a palavra "gordo" não vem associada à ioga, que traz à mente imagens de corpos esbeltos, flexíveis, com pouca roupa, não os fofos e redondos. Mas isso é o estereótipo que aulas e estúdios especializados nos EUA estão tentando combater, em um esforço para trazer para a prática pessoas de todos os tipos. A palavra não está lá por acaso, não é uma mera jogada de marketing destinada a fazer as pessoas sussurrarem.
— Eu queria algo que fosse assumidamente voluptuoso e alto-astral, não politicamente correto como "ioga para pessoas com curvas interessantes". Muita gente titubeia e eu queria deixar muito claro para quem ela se destina. É para pessoas grandes — contou Megan Stancill, que dá uma aula chamada MegaYoga em um estúdio em Nova York.
Nem todo mundo embarcou na nova linguística.
— "Gordo" pode ser uma expressão que dá poder a alguns, mas me fez sentir inferior. Se alguém a usa comigo, sinto-me mal — disse Tracy Weber, que oferece uma aula chamada Yoga for Round Bodies (ioga para corpos redondos) em seu estúdio de Seattle.
Mas a maioria desses instrutores tem a mesma intenção: desvincular a ioga das imagens do Instagram que mostram pessoas perfeitamente capazes de ficar na postura do pombo, para que todos a vejam como algo acessível.
— Dizem que a ioga nos Estados Unidos tem um grande alcance, mas apenas um centímetro de profundidade. Agora, está acessível a todos e isso inclui pessoas que pensavam: "Só vou conseguir fazer isso se perder peso primeiro" — avalia Abby Lentz, dona da HeavyWeight Yoga.
Os instrutores de pessoas mais pesadas personalizam a prática para as necessidades da sua clientela. Na ioga, ao contrário de outros exercícios, como a corrida ou a zumba, é preciso adaptar a prática ao tamanho do corpo — uma coisa que alguns instrutores não sabem fazer, disse Amber Karnes, que ensina na Body Positive Yoga em Charlottesville, Virgínia:
— Eles não entendem por que não podemos sair da posição do cachorro invertido como todo mundo faz.
Ela fez modificações para seus alunos, como colocar um travesseiro na parte inferior da coluna para apoio quando eles se deitam com as pernas para cima, ou colocar blocos sob as mãos para eles se inclinarem para frente, para não pressionar o estômago.
Jayvin Jordan-Green, 28 anos, aluno do Fat Yoga, encontrou o estúdio fazendo uma busca online por "ioga gordo". Ele queria um lugar onde o professor não achasse que ele estivesse querendo perder peso.
— Tive instrutores que disseram: "Vai ajudar a emagrecer" ou "Você vai se livrar dessa gordura indesejada se continuar praticando". É, mas talvez eu goste dessa gordura, talvez as pessoas com quem saio gostem dela. Tive muitos professores que me tratavam como se eu fosse um projeto especial. Todos diziam: "Vou te deixar super em forma". Querem uma coisa do tipo "antes e depois", mas não quero ser o "depois" — afirmou Jordan-Green.
Alguns instrutores são inflexíveis sobre a exclusividade. Michael Hayes, dono do Buddha Body Yoga em Nova York, não aceita pessoas magras em suas aulas: se você for magro demais, não pode participar:Estúdios nos EUA se especializam em ioga para pessoas acima do peso Brian Harkin/The New York Times
Michael Hayes, dono do Buddha Body Yoga, em New York, ensina adaptações de posições a seus alunos
Foto: Brian Harkin / The New York Times
— Estou trocando os pequenos pelos grandes? A resposta é "sim". Tem um monte de estúdios para pessoas menores.
Em seu estúdio, ele recusou três mulheres minúsculas que queriam ter aula.
— Os magros não gostaram muito. O choque, o aborrecimento e a raivinha são realmente profundos, mas estou mais interessado em trabalhar com os corpos grandes — disse o proprietário.
Outros iogues, no entanto, são mais flexíveis. Anna, do Fat Yoga, conta que a ideia é acolher pessoas de todos os tamanhos. Ela contou que os interessados sempre perguntam: "Estou gordo o suficiente?".
— Eu tive de encontrar uma maneira de dizer "você é gordo no ponto" ou "sim, sim, você é gordo".

O roteiro é completamente invertido. Muitas pessoas não se acham gordas em outros lugares, só na Fat Yoga, onde ser chamado de gordo é uma coisa boa.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2015/06/estudios-nos-eua-se-especializam-em-ioga-para-pessoas-acima-do-peso-4771357.html

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