10 de jul de 2017

Coatlicue - DOR

Mitologia - Coatlicue, ou Saia da Serpente, é a mãe de todas as divindades astecas. Ela recebeu esse nome porque usa uma saia de cascavéis que balançam. É adorada como a mãe da Terra, da vida e da morte. Cer-to dia ela encontrou plumas com penugem branca e, colocando-as sobre o peito, ficou grávida. Quando os outros deuses, seus filhos, descobriram a gravidez, juraram matá-la para impedir que o recém-nascido os suplantasse. Apenas sua amada filha, Coyolxauhqul, a Deusa da Lua, avisou-a do perigo. Coyolxauhqul foi decapitada pelo Deus do Sol, e Coatlicue, de luto, colocou a cabeça luminosa da filha no céu.

Significado da carta - Coatlicue está aqui para ajudá-la a confrontar-se com sua dor. Ela está aqui para lhe contar que não existe modo de fugir à dor, nem lugar onde esconder-se dela. O caminho para a totalidade está em passar pela dor. Você tem sentido medo de enfrentar o sofrimento de aceitar a dor e passar pelo processo de luto que ela trará? Você tem se escondido da dor, fingindo que está tudo bem? Talvez o seu medo da dor seja tão grande que você permanecerá nela durante toda a sua vida. Você conseguiu superar parte da sua dor, mas não toda, então, esporadicamente, ela pega você despercebida? Talvez você esteja se apegando a uma situação que precisa ser deixada para trás, com me-do da dor que isso causaria. É imprescindível para o processo de cura que você sinta a dor. Está na hora de pedir ajuda aos amigos e à família. A vida é perda, e perda faz parte da vida. As estações mudam, e tudo está em estado de transição. E mesmo a dor, se encarada plena-mente, finalmente diminuirá de intensidade. Com o tempo você se sentirá mais forte e animada. Um dia suas feridas cicatrizarão. Lembre-se de que o processo demora o tempo necessário e de que o tem-po de tristeza é diferente. Coatlicue diz para você sentir a dor para que a cura possa vir.

Sugestão de ritual: Toque a dor no tambor

Você precisará de um tambor e de baquetas.* Não use as mãos para tocá-lo, pois poderá feri-las, ou então, para protegê-las, você deixa de sentir plenamente a emoção.

Reserve um horário e um lugar em que você não seja interrompida. Sente-se confortavelmente, com a coluna reta. Respire fundo e solte. Libere-se de tudo. Inspire profundamente para o útero, o centro do corpo, e expire. Quando se sentir concentrada e relaxada, conceda-se espaço e permissão para abrir-se à sua dor. Encontre o lugar do corpo onde você está retendo a dor. É no coração? Nos pulmões? No plexo solar? Se souber visualizar, abra-se e deixe que as imagens venham. Se for cinestésica, deixe que o corpo sinta a dor.

Pode tratar-se de uma dor recente ou antiga. Pode ser uma dor que você nunca admitiu ou à qual deu pouca atenção. Talvez você descubra que, assim que se abrir à dor, muitas dores a incomodarão. Ou você pode achar difícil compreender. Deixe que tudo venha à tona, sem censura, sem julgamentos. Apenas aceite.

Assim que começar a sentir a dor, você estará pronta para tocar o tambor. Não importa como você toca. O importante é fazer sons. Deixe que o ritmo da sua dor se expresse. Deixe-se entoar a dor. Movi-mente-se ou dance ou enlouqueça de dor. Faça o que for preciso. Quanto mais você conseguir se envolver, mais profunda e satisfatória será a experiência. Não hesite em uivar e gemer e lamentar e chorar. Talvez os sons e o ritmo evoluam para uma canção específica que você pode cantar sempre que precisar manifestar a dor. Talvez seja diferente a cada vez. Faça o que for mais apropriado para você.
* Idealmente, um tambor nativo norte-americano tem uma alça para segurar numa mão e a baqueta na outra. O tambor tem de ser forte. Eu sugiro um tambor de pele de veado ou algum tipo de pele forte, menos pele de cabra.

Continue tocando a dor no tambor até que ela se transforme em outra coisa. Vá cada vez mais fundo. Cavalgue a dor até que ela se transforme. Se esta não for a hora de expressar toda a sua dor, apenas molhe os pés nas águas da dor agora, e depois molhe mais. Faça o que for mais apropriado para você.


Quando tiver tocado toda a sua dor no tambor, e ela tiver se transformado, ou quando sentir que fez o que era mais adequado no momento, deixe o tambor de lado. Respire fundo e solte o ar devagar, inalando a energia que você despertou. Agradeça e louve a sua coragem. Quando estiver pronta, abra os
olhos. Seja bem-vinda!

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