29 de jul de 2017

O que é Yoga? Por Karin Heuser Wolff



Existem várias linhas, vários métodos de Yoga, e neste artigo pretendo apresentar um apanhado geral do que é o Yoga, suas técnicas, o sistema de Patañjali e a ética do Yoga nos yamas e niyamas.

A palavra Yoga deriva da raiz sânscrita yuj, que significa jungiratarreunirreligardirigir e concentrar a atenção sobreusar e aplicar. Significa também união ou comunhão, além de uma atitude da consciência que permite a alguém encarar a vida em todos os seus aspectos com equanimidade.

O Yoga é também descrito como a sabedoria na ação ou a arte de viver com harmonia e moderação em meio às atividades. É estar em qualquer lugar, mas presente no que se está fazendo. É um estado constante de auto-observação, integração e união com tudo que o rodeia e consigo mesmo. É sentir-se parte integrante da vida, da natureza, do universo. Mas Yoga é também trabalhoestudo e principalmente prática, para continuar a renovação e manter os estágios já atingidos.



Na prática do Yoga se busca uma boa integração do corpo, emoções, mente e consciência. Um corpo saudável e com vitalidade, entre todos os requisitos, é o mais básico para esta viagem que é a vida. E o Yoga restabelece a relação primitiva entre o corpo e a mente e devolve equlí­brio ao organismo. O Yoga nos ensina a entender o corpo e a desenvolver a sua sabedoria e inteligência original, através dos asanas, que são as técnicas corporais.

Cada individuo é livre para escolher a forma de Yoga que está em afinidade com o seu caráter, suas aspirações e suas capacidades, ou pode, a seu gosto, recorrer a uma combinação particular dessas diferentes formas. A Bhagavad Gita, texto central do hinduí­smo, nos dá a esse respeito o exemplo de uma fusão harmoniosa das diferentes vias de abordagem, em seus dezoito capí­tulos, cada um dos quais com o nome de um Yoga diferente.

O legado do Yoga foi transmitido oralmente de mestre a discípulo por muitas gerações. A palavra sânscrita que designa essa transmissão de conhecimento é parampara, que significa um depois do outro. Muito foi acrescentado, e muito foi abandonado ou alterado. O Yoga não é, de maneira alguma, um todo homogêneo. Os pontos de vista e práticas variam de escola para escola. Não há apenas um Yoga, mas uma variedade de caminhos yogikos e abordagens com estruturas e objetivos teóricos contrastantes, mas todas essas linhas pretendem levar o praticante ao estado de não condicionamento, o estado de libertação, chamado de moksha.



Historicamente, o mais significativo de todos os tipos de Yoga é o sistema clássico de Patañjali, também chamado de Yoga Darshana. Esse sistema representa o resumo de muitas gerações de cultura yogika. Patañjali não criou o Yoga, mas limitou-se a sintetizar o conhecimento védico no Yoga Sutra, ou Aforismos do Yoga, que foi composto em uma época que varia, segundo os eruditos, entre os séculos II a.C. e IV d.C.

Essa obra, de extrema concisão, desenvolvida posteriormente por numerosos comentários, forma o texto base do Yoga como Darshana, isto é, um dos seis pontos de vista sobre a Realidade última e os modos de aproximar-se dessa Realidade.

O sistema de Patañjali é também chamado de Ashtanga Yoga, um Yoga em oito (ashta) partes (angas), ou oito membros. A palavra anga quer dizer membro, ou parte constituinte de um corpo. No presente contexto, obviamente designa as oito subdivisões em que a técnica yogika está dividida.

Esses oito membros são:

    1) Yama: relacionamento com o mundo exterior;
    2) Niyama: relacionamento com o mundo interior;
    3) Asana: estabildade e conforto na postura;
    4) Pranayama: manipulação da energia vital;
    5) Pratyahara: cessação da influência dos estímulos externos;
    6) Dharana: concentração em um único objeto;
    7) Dhyana: meditação, quando o processo de concentração adquire fluidez;
    8) Samadhi: compreensão real do objeto escolhido em dhyana.
Os dois primeiros membros, yama e niyama, regem a vida social e pessoal do yogin, a fim de diminuir a produção de volições e ações que só fariam aumentar-lhe a carga kármica. O objetivo do yogi é a eliminação de todo o karma, isto é, de todos os ativadores subliminares (samskaras) embutidos nas profundezas da psique.

Para que essa transformação da consciência tenha êxito, os yogins têm que criar condições ambientais corretas dentro e fora de si. Yama e niyama podem ser vistos como os dois passos nessa direção. A postura, asana, leva esse esforço ao ní­vel do corpo.

Pelo simples praticar de uma dessas virtudes, todas as outras virão. Se uma for consumada, a concentração, a meditação e até mesmo o samadhi serão alcançados. Até quando uma única virtude tornar-se parte da nossa natureza, a mente tornar-se-á lí­mpida e tranquila. Nem haverá necessidade de se “praticar” meditação, pois a pessoa estará sempre meditando, automaticamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário