21 de ago de 2017

Deusa Cerridwen

MORTE E RENASCIMENTO

Eu lhe dou a vida Eu lhe dou a morte é tudo uma coisa só

Você anda pelo caminho em espiral o caminho eterno

que é a existência sempre se transformando sempre crescendo

sempre mudando


Nada morre que não nasça outra vez nada existe sem ter morrido Quando vier até mim
eu lhe darei as boas-vindas então a acolherei no meu útero meu caldeirão de transformação onde você é misturada e peneirada fundida e fervida

derretida e triturada reconstituída e depois reciclada Você sempre volta para mim

você sempre vai embora renovada Morte e renascimento

não são nada mais que pontos de transição ao longo do Caminho Eterno


Mitologia

Para os galeses, Cerridwen é uma Deusa tríplice — donzela, mãe e mulher idosa — cujo animal totêmico é uma grande porca branca. Ela se relaciona com a Lua, a inspiração, a poesia, a profecia, a mudan-ça de forma e a vida e a morte. Cerridwen teve dois filhos. Um era belo e o outro, feio. Como queria que o rapaz feio tivesse algo de seu, ela fez para ele uma poção mágica. Demorou um ano e um dia para terminar de fazer a poção, que se destinava a torná-lo inspirado e bri-lhante. Ela ordenou que Gwion, seu assistente, tomasse conta da poção e o advertiu para não bebê-la. Acidentalmente, algumas go-tas da poção espirraram na mão de Gwion, e ele levou a mão à boca. Instantaneamente, ele sabia tudo, até mesmo que Cerridwen tenta-ria matá-lo. Ele fugiu e ela foi atrás dele. Depois de muitas mudan-ças de forma, Gwion foi engolido por Cerridwen, que o deu à luz nove meses depois.

Significado da carta

A aparição de Cerridwen na sua vida anuncia um tempo de morte e renascimento. Algo está morrendo, e é preciso deixar que se vá para que algo novo possa nascer. Conhecemos essa dança de morte e renas-cimento da Terra como as estações do ano. A matéria não pode ser criada ou destruída, mas passa por transformações. O mesmo acon-tece conosco. Para viver na plenitude e com totalidade é preciso que aceitemos a vida como ela é, o que inclui a morte e o renascimento. Desapegue-se do que não serve mais para você e para sua totalidade. Talvez você tenha chegado ao final de um ciclo, de um relacio-namento, de um emprego, e esteja com medo de deixá-los ir embo-ra. Ou sente que está morrendo, quando apenas uma parte de você tem de dar lugar ao novo. Talvez a ideia de que existe morte e ape-nas morte seja dolorosa demais para você aceitar. O fato de vivermos em determinada cultura privou a maioria de nós do caminho de morte e renascimento da Deusa. A totalidade é alimentada quando ficamos conscientes de que cada passo no caminho da vida também é um pas-so rumo à morte e ao renascimento. A totalidade é conquistada quan-do conseguimos dizer sim e dançar com a morte e o renascimento. Cerridwen diz que você sempre receberá de volta o que der a ela. Isso será mudado, transformado, mas você o terá de volta.



Sugestão de ritual: O caldeirão de Cerridwen

Reserve um horário e um lugar em que você não seja incomodada. Sente-se ou deite-se confortavelmente, com a coluna reta. Feche os olhos. Inspire profundamente e expire lentamente, contando até dez. Inspire outra vez e novamente expire contando até dez. Faça uma terceira inspiração profunda e, enquanto solta o ar, visualize ou sin-ta um túnel. Pode ser um túnel que você conheça ou um túnel que você imagine. Fique em pé do lado de fora do túnel e passe os dedos pela superfície da entrada. Sinta o cheiro. Entre no túnel. Lá dentro está quente e confortável, ele é bem iluminado e agradável. Você vai descendo, descendo cada vez mais fundo. Descendo, descendo, sente-se relaxada, confortável, até chegar ao final do túnel. Há luz no fim do túnel, a luz do Além.

Você passa para o Além e é recebida por Cerridwen. Ela pega você pela mão e a leva até seu caldeirão. Ele é gigantesco e preto. Cerridwen mexe o conteúdo do caldeirão e pede que você ponha ali tudo o que precisa ser transformado e abandonado, tudo que pre-cisa morrer. Você põe tudo no caldeirão e mexe. Cerridwen agita o caldeirão.

Cerridwen pára de agitar o caldeirão, deixa de lado seu bastão e coloca as mãos dentro dele. Ela tira o que você jogou lá dentro, que coloca na sua frente. O que você jogou foi transformado no que é preciso. Você agradece a Cerridwen e ela lhe pede um presente, que você dá de boa vontade. Pronta para voltar, você entra no túnel levan-do consigo o que foi transformado dentro do caldeirão de Cerridwen.

Agora você está subindo, subindo, subindo, sentindo-se revigo-rada, energizada. Continue a subir até chegar à entrada do túnel. Você sai do túnel e respira profundamente. Ao expirar lentamente, você volta ao corpo. Respire fundo mais uma vez e, quando estiver pron-ta, abra os olhos. Seja bem-vinda!

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