10 de out de 2017

Perséfone - deusa do submundo

Perséfone - Deusa do Submundo, do Inconsciente, Sacerdotisa e filha


Eu transito entre dois mundos
Eu desci nos infernos de mim mesma
Li o inconsciente
Porque conheci as dores mais profundas
E sobrevivi
Eu posso conhecer as dores dos outros
Viajei na escuridão e nas sombras
Conheci o fundo do medo
Acendi a luz do amor
E voltei pra aquecer a terra
Eu sou Perséfone

Características: ingenuidade, juventude, vitalidade, receptividade, intuição, espiritualidade, imaginação Aspectos sombrios: dependência, passividade, indecisão, depressão, fantasia Arquétipo: filha da mãe, sacerdotisa Palavra-chave: Poder oculto 

É possível que a mulher Perséfone não nos impressione particularmente no primeiro encontro devido à sua modéstia e discrição. Uma parte dela, podemos até pressentir, está em outro lugar. Todavia, ela é tão intuitivamente “ligada” que parece estar presente até mesmo nos nossos pensamentos.

Em sua fragilidade, nós pressentimos um anseio por afeição e intimidade profunda, embora seja difícil dizer se é a intimidade do espírito ou do corpo que ela realmente deseja.

A imagem de Perséfone está associada à de outra deusa, Deméter, a mãe perene, aquela a quem quer sempre agradar. O ideal de Perséfone é a de ser uma boa menina, obediente, dedicada e protegida de toda experiência arriscada.

Uma aura de mistério a envolve, um elo oculto com o espírito a faz habitar além das fronteiras do cientificamente conhecido - o que a faz se sentir alienada e insegura de si mesma. Hoje em dia, cada vez mais Perséfones latentes tem buscado a literatura esotérica, as formas alternativas de cura. 

O mito descreve como a jovem donzela estava brincando certo dia entre as flores, quando, de repente, a terra se abriu e o grande senhor da Morte, Hades, surgiu em sua carruagem e raptou-a para o mundo avernal a fim de casar-se com ela.

Homem: Dois tipos de homem sentem atração por ela: os jovens e inexperientes e os que não resistem à sua inocência e fragilidade. Ter um companheiro pode ser a melhor saída para escapar da mãe dominadora. A sexualidade não é algo latente: está à espera do príncipe encantado que venha despertá-la. Realiza-se através da expectativa do outro.

Superação: O mundo do inconsciente, perdas, sombras, fazem parte daquilo que Peséfones precisa confrontar para evoluir em sua vida. Compreender o significado da descida de Perséfone e a sua ligação com a esfera espiritual é particularmente urgente hoje. Porém se a mulher-Perséfone moderna só vivencia apenas este tipo de natureza - vítima e passiva - tenderá a sofrer consideravelmente. É preciso convocar outras deusas como Deméter para dar-lhe senso de corpo e da terra para trazê-la ao chão. E Atenas para dar-lhe uma certa objetividade acerca da natureza de seus dons e assim por diante.

Caso transcenda sua própria sombra, poderá ajudar os outros a fazerem o mesmo, transformando-se em verdadeiras terapeutas da alma. Seu maior desafio, portanto é unir o lado escuro e o lado luminoso da deusa em si mesma. Por ter estado no mundo avernal e conhecer o lado mais tenebroso do sofrimento humano, ela se torna um facho de luz. Uma Perséfone madura pode servir de guia, então, para todos que queiram “visitar” as profundezas em seus sonhos e fantasias, ajudar os “raptados” e os que perderam contato com a realidade. "

Escrito por Sílvia Rocha a partir do livro de Jean Shinoda bolen - As Deusas e a mulher

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